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A MEDICINA DO CUIDADO: A diferença entre cuidar de pessoas e tratar doenças

Profissionais do futuro precisam entregar mais do que tecnologia, precisam ouvir ativamente, exercer empatia e tocar nos pacientes - tanto no sentido figurado, como no sentido literal. Ao examiná-los, os médicos precisam tratar pessoas, não doenças.

BLOGACERVO

7/27/20263 min read

Na década de 90 a internet passou a ser popularizada com a promessa da redução da distância entre as pessoas. A sociedade seria totalmente globalizada e as fronteiras entre os países seriam apenas um detalhe burocrático. Após algumas décadas o que observamos foi um encolhimento do tempo ao invés do espaço.

O uso diário da internet passa uma sensação de urgência em cada ato do nosso cotidiano. Essa sensação do tempo ter encurtado faz com que um simples sinal sonoro dispare nosso coração e desvie toda nossa atenção para um aparelho de celular, não importa o que estamos fazendo ou com quem estamos conversando. Estamos mais ansiosos, estamos com muita pressa mesmo sem motivo aparente para isso.

É nesse contexto de avanço tecnológico e otimização de tempo que a medicina tem se voltado a buscar soluções de automação. O uso de inteligência artificial para diagnóstico e indicação de tratamento e mesmo realização de pequenos procedimentos já foi testado. Ao passo que alguns sugerem que a medicina estaria fadada à obsolescência, eu vejo completamente o oposto. Entendo que a valorização da medicina em sua essência, da medicina do cuidado centrado no paciente, será inevitável.

Texto escrito em 2023 para a Revista Agenda DOC (uma publicação comemorativa HEH pelos nosso aniversário de 3 anos de secretariado remoto para médicos.

"Profissionais que tratam doenças seriam facilmente substituídos por um robô. Os profissionais do futuro precisam entregar mais do que tecnologia, precisam ouvir ativamente, exercer empatia e tocar nos pacientes – tanto no sentido figurado, como no sentido literal ao examiná-los. Os médicos precisam tratar pessoas, e não doenças."

Dr. Nilton Nadai - Ginecologista
Qualidade de vida para mulheres com endometriose

O cuidado inicia antes mesmo do paciente chegar ao consultório. O médico, representado pela sua equipe de agendamento, precisa se mostrar disposto a resolver as questões do paciente e mesmo antecipar algumas necessidades e dúvidas.

Durante a consulta, o médico precisa acolher o paciente de uma maneira humana, sempre tratando pelo nome, mantendo um tom de voz calmo e uma cadência de fala num ritmo lento e confortável. A paz e serenidade precisam transbordar no discurso. Olhar nos olhos do paciente para escutá-lo e evitar desvios de atenção para celular ou computador. Isso requer muito esforço do profissional para desacelerar o tempo e fazer com que o paciente se sinta acolhido e cuidado.

Obviamente que esse cuidado deve continuar após a consulta. O relacionamento entre o paciente e a equipe dura mais do que o período da consulta. Entender a diferença entre cuidar de pessoas e tratar doenças é primordial para um atendimento de qualidade. Essa é nossa entrega para a sociedade, cuidar de pessoas.

SOBRE O AUTOR CONVIDADO

Dr. Nilton Nadai | Ginecologia, Endometriose e Dor Pélvica Crônica

Referência em cirurgias ginecológicas de alta complexidade em Foz do Iguaçu, o Dr. Nilton Nadai enxerga a prática médica através de uma lente essencial: a de que a saúde da mulher exige um consultório sem paredes, onde a segurança e a presença médica extrapolam os limites físicos da consulta.

Parceiro da HEH desde o início dessa jornada, em 2022, ele é também um dos idealizadores da Rede Afectos, uma estrutura multidisciplinar desenhada para acolher o corpo, a dor e o desejo de gestar de mulheres que enfrentam a endometriose e a infertilidade. Neste artigo autoral, o especialista reflete sobre o papel insubstituível do afeto e da presença humana na era da tecnologia médica.